Sapos aleijados rastejam pelo chão
Ruas desertas
Cobertas de escombros
Plúmbeos corpos reluzem
Aos raios de sol que
Insistem em atravessar a camada de poeira
Hectacombe nuclear, uma luz, abriram a caixa de pandora
Quem viu, não mais vê,
Quem sentiu, não mais sente,
Não há barulho, e sim, lamentações murmuradas
moribundos aos pedaços, atravessados em lajes,
fundidos ao chão
Examino um deles
relógio rederretido no pulso
marcando a hora exata
9:17
Acabou o mundo
Um corpo a frente
Parece familiar
Olho para ele
Semblante em paz
Tranquilidade na tragédia
Cai a máscara
Eu estou lá, desfigurado
Não tem ninguém,
todos mortos, eu, você e ele
Todos iguais, sem carne e sem cor!